Este relato é de uma aula onde tivemos um convido e ele nos trouxe uma visão oriental a respeito de Gestão do Conhecimento e Modelos Mentais e Orgarnizacionas.
Nossa intenção era Elucidar Impactos do Contexto de Negócios do Século XXI em Projetos de GC/GCI.
Convidado: André Saito (andsaito@gmail.com)
André Saito[1], foi convidado a participar da aula, dando sua contribuição para a intenção do dia ser alcançada, em função de sua recente experiência no Japão, onde concluiu seu Doutorado em Gestão do Conhecimento na Japan Advanced Institute of Science and Technology[2] (Instituto avançado Japão da ciência e da tecnologia).
André relatou um pouco sobre sua formação acadêmica, que se iniciou na Graduação em Engenharia Eletrônica pela Unicamp, onde teve seu primeiro contato com a “área” de pessoas, pois neste mesmo período participou de uma Empresa Junior. Depois de formado fora trabalhar como Trainee e ingressou em seu Mestrado em Administração de Empresas onde pesquisou sobre e-learning, pois existe a junção da tecnologia com aprendizagem. Após algum tempo, “cansado apenas de estudar” como ele mesmo diz, decidiu fazer um Doutorado. Com o auxilio de um programa do Estado Japonês, ele conseguiu uma bolsa para realizar seu Doutorado no Japão com todas as despesas pagas. Seu regresso ao Brasil se deu a pouco tempo e atualmente está Coordenando o Curso de Gestão de Pessoas no Senac.
Segundo André, atualmente se vive a Economia do Conhecimento, onde o Conhecimento é o principal fator de produção. Essa é a grande diferença entre a economia do passado, pois os economistas diziam que a Economia Mundial era formado por Capital, Trabalho (mão de obra) e Terra. Porém atualmente o Conhecimento esta agregado a estas forças também. A razão de existir uma grande dificuldade de assimilação desta idéia é o fator de que o Conhecimento não possa ser mensurado, diferentemente das outras forças. O Conhecimento se comporta de forma diferente. É potencialmente infinito. Esta ao alcance de todos, não pode ser perdido pelo homem e pode ser compartilhado.
Nesta Economia do Conhecimento a grande dificuldade é como gerar novos conhecimentos sem perder as propriedades intelectuais e assim gerar maiores riquezas. Essas dificuldades são em função do contexto de negócios desta economia como: aceleração da taxa de inovação (não necessariamente em apenas criar novos produtos, mas também no sentido de criar novos modelos, aperfeiçoar processos e melhorar produtos já existentes), novas configurações organizacionais (organizações menos burocráticas, com poucos níveis hierárquicos, novos “esquemas” de empresa, maior quantidade de alianças, parecerias), expansão do trabalho do conhecimento (o trabalho do conhecimento não é simples e transcende as partes físicas, não da para avaliar, é baseado em educação) e complexidade do conhecimento (cada vez mais distribuído, interconectado e dinâmico, não existe uma definição clara, especifica, é onde a junção das partes se torna algo menos abstrato).
André acredita em Quatro Perspectivas básicas da Gestão do Conhecimento. Algo como quatro visões de Gestão do Conhecimento, como ele mesmo denomina: “as tribos da GC”.
A primeira perspectiva é voltada para a Informação. Neste sentido, informação é tida como Livro, Texto, Artigo e outros materiais similares. Essa “tribo” acredita que facilitando acesso a conteúdo e expertise se cria novos Conhecimentos. O Conhecimento é tido como conteúdo relevante e experiência codificável. Alguns exemplos sobre esta prática:
- Organizar e facilitar acesso à informação: criar e implantar taxonomias, portais, repositórios entre outros;
- Auditoria de conhecimento: mapear conhecimento disponível e seus fluxos, identificar, codificar e disseminar práticas exemplares;
- Replicar melhores práticas: identificar, codificar e disseminar práticas exemplares;
- Inteligência competitiva: base de conhecimento sobre concorrência, mercado, tendências, etc.;
Outra “tribo” crê que o Conhecimento é formado a partir das Pessoas. O Conhecimento é tido como pratica social e sentido socialmente construído. Alguns exemplos sobre esta prática:
- Cultivar (e não gerenciar), comunidades de pratica: grupo interativo de pessoas com atividades e interesses comuns;
- Promover colaboração e compartilhamento, como estabelecer equipes multidisciplinares e estimular redes sociais;
- Gerir o trabalho do conhecimento, como desenvolver pessoas e equipes e instituir a gestão por competências;
A Informática é tida também por alguns como um meio para a geração do Conhecimento. Esse conhecimento é identificado com a computação inteligente e modelo para simulação de realidade. Alguns exemplos sobre esta prática:
- Sistemas baseados em conhecimento: ontologias[3] (sistema dentro da informática que replica o conhecimento, pensamento), sistemas especialista, inteligência artificial;
- Knowledge discovery e data minig: identificação de padrões e relações em bases massivas de dados;
- Bussiness intelligence: sistemas de informação para apoio a tomada de decisão
A quarta e ultima “tribo” acredita que o Conhecimento é formado através da Estratégia. Está Estratégia é tida como em um nível empresarial. O Conhecimento é como competência organizacional e fundamento da gestão. Alguns exemplos sobre esta prática:
- Construção de competências organizacionais, como aquisição de competências e desenho e desenvolvimento organizacional;
- Gestão de inovação, tido como pesquisa e desenvolvimento e estabelecer parcerias e redes de colaboração;
- Gestão do capital intelectual: mensurar e acompanhar performance de ativos intangíveis;
Através destas perspectivas, pode-se perceber que a Gestão do Conhecimento está presente em varias frentes, apenas depende do ponto de vista para identificá-la como tal. Se conhecendo o contexto e o que se pode fazer entender melhor os fatos.
Após este panorâmico do que é Gestão do Conhecimento segundo André, ele trás ao encontro um pouco sobre sua experiência no Japão.
Inicialmente ele fala sobre o Processo SECI (conhecido como Espiral do Conhecimento ou Modos de Conversão do Conhecimento). Segundo André, Nonaka & Takeuchi ficaram conhecido no Ocidente pelo motivo errado. O principal foco da Espiral do Conhecimento é a Criação de Conhecimento (é inovação) ao nível de grupo, porém foi usado no Ocidente como uma ferramenta pelas pessoas de Gerenciamento de Informação, justamente na parte de Socialização, pois eles entenderam que era pra ser usado como um meio de trocar dados, informações. Assim, André desmistifica essa crença dizendo que para o Oriental esse processo de Socialização é algo muito mais complexo, algo que transcende aspectos físicos, é algo cultural. A socialização no Oriente é utilizada para firmar relacionamentos, gerar inovação, tornar uma construção coletiva, como se “um quadro fosse pintado por varias mãos”. André diz que a melhor relação no Oriente é aquela onde existem poucas palavras, a comunicação é feita por pequenos gestos, olhares, e isso faz com que seja muito difícil o relato de como essa comunicação é feita.
André também fala do saber, sobre o ponto de vista Ocidental e Oriental. Ele diz que para o Oriental o saber é algo muito mais inerente a praticas do que a teorias. O Oriental crê que se aprende, se sabe através das experiências e praticas. “Quer que o individuo seja um bom gestor, o coloque para trabalhar com outro gestor durante muito tempo” disse André. O Ocidental aprende através de estudos, pesquisas e outros.
Um novo conceito que foi trazido por André que era desconhecido para o grupo, foi o Ba. Segundo André, “Ba é um contexto compartilhado para o cultivo de relações emergente. Pode ser físico, virtual ou mental”. O Ba é o ambiente onde se cria a ação de Conhecimento coletivo, semelhante ao movimento em que é realizado nos encontros da turma. Ele pode variar conforme o tipo e processo de conhecimento envolvido, como Ba de origem (socialização), Ba de interação (externalização), Ba de sistematização (combinação) e Ba de prática (internalização).
Em função do escasso tempo, André teve que fazer seu ultimo comentário a respeito de Phronesis[4]. André explica que Phronesis é um dos muitos nomes dado ao Conhecimento pelos Gregos. Phronesis é algo entre o Conhecimento lógico e ético, é um saber ético, baseado na experiência com ética e o bem comum. “É o conhecimento experiêncial que permite a tomada de decisões baseadas em valores éticos” segundo André. Ele é tido para tomar decisões baseadas no bem comum, compartilhar contextos para criar Ba, apreender a essência de situações, universalizar a partir de particularidades, articular meios para viabilizar o bem comum, cultivar a phronesis em outros. O Phronesis parece ser utópico, mas é muito pratico, trabalho de conhecimento é voluntário, tem que querer e a Phronesis é o que faz com que ajude a contribuição.
André conclui o encontro falando que para o Oriental a Missão da Empresa é resultado da Socialização, do bem comum, da historia e sentimento coletivo da empresa.
Os últimos 20 segundos de aula, como sempre, Edson faz algumas considerações referente ao que foi dito, concluindo que a intenção do encontro fora atingido e Marisa faz um agradecimento em nome da turma a André.
Fim. (Ou seria o Inicio.. o.O )
Eu, Diogo, gostaria de fazer uma contribuição com a turma, compartilhando alguns sites, além daqueles que esta no texto, para contextualizar melhor nossa experiência.
Site do Centro de Referência em Inteligência Empresarial (Crie). Este centro é o laboratório de pesquisa, desenvolvimento e capacitação em inteligência empresarial do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ. Tem como missão criar e desenvolver produtos e serviços na área de inteligência empresarial – com ênfase na Gestão do Conhecimento – de forma a contribuir para a inserção competitiva do Brasil na sociedade do conhecimento.
http://portal.crie.coppe.ufrj.br/
Capa da Revista Exame: Por dentro da maior montadora do mundo, Com uma cultura baseada na tradição, na melhoria contínua e no trabalho em grupo, a Toyota roubou a liderança da rival GM. Essa reportagem consegue mostra um pouco de como é a Gestão das Empresas Japonesas.
http://fwa.abril.com.br/AcessoConteudo/buscaconteudo.servlet?codAcesso=234442&senha=A1C3BC1A5DBA79A10F932EA5B41AF4BB.matriz1
Explicação do Ba segunda a Wikipedia.
http://ja.wikipedia.org/wiki/Ba
[1] http://asaito.editme.com/Home
[2] http://www.jaist.ac.jp/
[3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Ontologia
[4] http://en.wikipedia.org/wiki/Phronesis
sábado, 20 de outubro de 2007
Postado por Diogo Merino às 07:22
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